Construindo a rentabilidade na produção de grãos

Estamos com lavouras em pleno desenvolvimento vegetativo em diversas regiões produtoras de soja do Brasil, salvo os Estados que enfrentaram ou ainda enfrentam dificuldades de realizar a implantação das lavouras em função da restrição hídrica e das altas temperaturas. Este momento do ciclo da soja é decisivo para controle de plantas daninhas, pragas e doenças.

O primeiro desafio no contexto do manejo para altos rendimentos de grãos foi marcado pelo estabelecimento de plantas distribuídas uniformemente e com alta capacidade produtiva, aspecto este que já foi ou está sendo vencido. Agora é hora de canalizar os esforços no controle dos agentes redutores de produtividade.

A identificação dos índices de dano econômico causado por pragas e doenças exige um monitoramento criterioso e detalhado das áreas de produção, de forma a não realizar aplicações em excesso ou atrasadas. Neste caso, os dois extremos acabam gerando desperdício de recursos por parte dos agricultores.

Entre as principais preocupações destacamos a ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi) da soja. O fungo Phakopsora pachyrhizi é um patógeno biotrófico que necessita de hospedeiro vivo para sobreviver e ampliar a sua multiplicação. Atualmente, este fungo se caracteriza como a principal doença na cultura da soja no Brasil.

O nível de dano econômico que esta doença pode ocasionar depende do nível e momento de infecção, de condições climáticas favoráveis à sua multiplicação, da resistência/tolerância e do ciclo da cultivar utilizada. Reduções de produtividade próximas a 74% são observadas quando comparadas áreas tratadas e não tratadas com fungicidas em lavouras com alta incidência da doença.

A confirmação da ferrugem é feita pela constatação no verso da folha de saliências semelhantes a pequenas feridas (bolhas), que correspondem à estrutura de reprodução do fungo. Essa observação é facilitada com uma lupa de 10 a 20 de aumento pelo técnico ou agricultor.

A ferrugem asiática da soja desafia a cadeia produtiva a cada safra, onde são observados comportamentos diferentes do patógeno, seja em relação a sensibilidade a fungicidas ou ao período de ocorrência e evolução nas lavouras.

“Este momento do ciclo da soja é decisivo para controle de plantas daninhas, pragas e doenças.”

Alexandre Gazolla

Recomendações de manejo:

  • Efetuar o monitoramento constante e detalhado das lavouras
  • Realizar as aplicações em intervalos adequados seguindo as recomendações específicas de cada produto
  • Utilizar tecnologia de aplicação adequada, com volume de calda recomendado para cada estágio fisiológico
  • Conduzir as aplicações de fungicidas de forma preventiva, sempre em associação com fungicidas multissítios
  • Rotacionar fungicidas com diferentes mecanismos de ação
  • Não realizar mais de duas aplicações de fungicidas do mesmo mecanismo de ação em um mesmo ciclo de produção
  • Controlar as plantas remanescentes em lavouras e beiras de estrada
  • Respeitar o período de semeadura recomendado para cada região e cultivar, principalmente na safrinha
  • Desenvolver um plano de rotação de culturas com um planejamento de longo prazo
  • Em caso de dúvidas, consulte sempre um engenheiro-agrônomo

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