Uva: um olho na videira e outro no clima

No Rio Grande do Sul, maior produtor nacional de uva – com participação de 90% na produção de vinhos e espumantes, segundo a Radiografia Agropecuária Gaúcha 2020 –, a colheita já iniciou nas cultivares mais precoces. Na região do Médio Alto Uruguai, no Norte gaúcho, há uma peculiaridade na maturação das frutas. Conforme o enólogo Nivaldo Potrich, que atua em Ametista do Sul/RS, o microclima quente da região propicia a antecedência da maturação se comparada as demais áreas do Estado, o que contribui para a comercialização antecipada da fruta.

Na Serra gaúcha, a colheita da variedade superprecoce Vênus também já iniciou. Esta é cultivada em regiões mais quentes, como os Vales do Caí, Taquari e Antas.

No entanto, o destaque desta safra vai para o clima, especialmente para o fenômeno La Niña que gera uma condição de estiagem para o Sul do Brasil. Por conta da falta de chuva e do clima seco, produtores têm relatado prejuízos na produção em algumas áreas produtoras.

Tempo seco merece atenção dos viticultores

É assim que será caracteriza esta safra de uva – mais do que nunca. O clima seco no Sul do país requer atenção dos produtores em relação aos ataques dos ácaros e da mosca-da-frutas. Conforme a Embrapa Uva e Vinho (RS), nas videiras há previsão de uma redução de ocorrência de míldio, antracnose e escoriose, mas aumento do oídio nas cultivares europeias e híbridas.

Potrich explica que na região do Médio Alto Uruguai, por exemplo, a maioria das variedades são americanas e apresentam maior resistência a estas pragas e doenças, a exemplo da Niágara e Bordô. Já nas “variedades finas”, como se refere o enólogo, cultivadas mais na região da Serra, a susceptibilidade é maior. “Posso citar as variedades viníferas, como Cabernet, Merlot e Tannat. Além disso, variedades finas de mesa também são mais susceptíveis, a exemplo da Rainha Itália, Rubi e Benitaka”, explica o profissional.

Algumas doenças para ficar de olho

A ocorrência de doenças fúngicas depende basicamente das condições climáticas e da fase de desenvolvimento da cultura. Abaixo listamos algumas doenças que podem acometer a cultura em condições de tempo seco e alta temperatura.

A Embrapa Uva e Vinho alerta, ainda, que em função das chuvas abaixo da média, é importante manter a cobertura vegetal ou cobertura morta para garantir a conservação do solo e promover maior armazenamento de água no solo.

A doença tem grande importância em cultivares americanas e híbridas, principalmente em regiões mais quentes, onde a doença evolui rapidamente. A desfolha precoce é o principal dano, acarretando o enfraquecimento da planta e deficiência na maturação dos ramos e, consequentemente, má brotação no ciclo seguinte.

Condições favoráveis

A doença se desenvolve em condições de alta temperatura e umidade. As folhas basais normalmente são as mais afetadas. O aparecimento dos sintomas ocorre, geralmente, no início da maturação da uva. A ausência ou um número insuficiente de tratamentos para o controle do míldio pode favorecer o desenvolvimento da doença.

A ferrugem da videira causada por Phakopsora euvitis foi observada pela primeira vez no Brasil no ano de 2001, no Paraná, mas já foi relatada também no Rio Grande do Sul, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.

Condições favoráveis

A doença é mais severa em regiões tropicais e subtropicais do que em regiões temperadas. Os uredosporos podem germinar em temperaturas entre 8ºC e 32ºC, sendo a temperatura ótima de 24ºC, na ausência de luz.

O oídio, ou míldio pulverulento, causado pelo fungo Uncinula necator (Schw.) Burril, ocorre em todas as regiões vitícolas do mundo.

Condições favoráveis

Em condições climáticas favoráveis, o oídio se desenvolve de maneira contínua a partir da brotação, pois as gemas infectadas no ciclo anterior servem como ponto de partida para a doença, originando, na ausência de controle, os focos primários de onde surgirão as próximas contaminações. A intensidade de infecção depende essencialmente da temperatura e umidade.

A germinação dos conídios pode ocorrer em temperaturas baixas (4° C) e com umidade relativa de 25%; porém, as condições ótimas estão em torno de 25° C e entre 40% a 60% de umidade relativa. Períodos secos, quentes e com nebulosidade são as condições favoráveis ao desenvolvimento do oídio, baixa luminosidade ou luz difusa favorece o desenvolvimento da doença. Novos esporos do patógeno podem ser produzidos nas folhas de videira, em 12 ou 5 dias, quando a temperatura média for de 12ºC ou 26ºC, respectivamente. A temperatura máxima para infecção foi determinada ser em 33ºC, embora os esporos possam germinar em temperaturas maiores.

Este tipo de podridão é muitas vezes confundido com a podridão cinzenta da uva por apresentar sintomas semelhantes. Mesmo não sendo uma doença causada exclusivamente por fungos, foi incluída porque tem causado perdas significativas em anos de elevada precipitação no período de maturação das uvas viníferas. A doença é de etiologia complexa, onde estão envolvidas, como agentes primários, leveduras e bactérias acéticas. A levedura transforma o açúcar da uva em álcool e a bactéria transforma o álcool em ácido acético.

Condições favoráveis

A temperatura e umidade altas durante a maturação da uva, associadas ao excesso de vigor e cultivares com cachos compactos, favorecem o desenvolvimento da doença. Ferimentos provocados por chuva, granizo, insetos, pássaros e outras doenças aumentam a intensidade da podridão ácida. A doença se manifesta quando as bagas têm acima de 8% de açúcar. Embora não ocorra regularmente, em anos com condições climáticas favoráveis pode causar perdas de 20% a 30% à produção.

Fonte: Circular Técnica Embrapa Uva e Vinho

As medidas de controle podem ser consultadas AQUI!

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