Falta de chuva e alta temperatura no plantio da soja

O plantio de soja segue a todo vapor no Brasil. No entanto, no Sul do país, sojicultores estão sendo desafiados pela estiagem – que novamente assola a safra de verão. Em meio a este cenário, as Boas Práticas de Plantio são ainda mais essenciais. Em uma breve avaliação nas lavouras do Norte gaúcho, o engenheiro-agronomo e doutor em Sementes Alexandre Gazolla analisa algumas limitações impostas pela falta de chuva e a alta temperatura.

Pressão de plantio

Com o plantio atrasado, ao menor registro de chuva, sojicultores intensificarão o trabalho de semeadura, mas o alerta fica para o chamado dano por calor, muito característico em regiões quentes ou em períodos com alta temperatura. Esta situação afeta a germinação, além de comprometer a reserva do cotilédone pós-germinação ou, até mesmo, causar o tombamento fisiológico, resultando em perdas de unidades de produção. Para compreender, a reserva do cotilédone serve para suprir as necessidades da planta em seus primeiros 15 a 20 dias após a semeadura.

Alta temperatura

O posicionamento das sementes no solo precisa de muita atenção. Tanto a semente quanto a planta precisam de água e temperatura adequada para o bom desempenho. Lembre-se: Para que ocorra a germinação, as sementes de soja necessitam que a temperatura do solo na profundidade de deposição das sementes seja entre 20°C e 30°C, preferencialmente entre 22°C e 28°C, além de disponibilidade de água para absorção e embebição de até 50% da sua massa.

As sementes são organismos vivos e, consequentemente, respiram e possuem o metabolismo ativo, por isso necessitam de um ambiente adequado para o seu desenvolvimento, caso contrário pode ocasionar a morte de plantas.

Limitações na emergência de plantas

A semeadura seguida pelo estabelecimento uniforme de plantas com alta performance produtiva é o principal desejo e desafio do agricultor brasileiro. Por isso, entender que pequenos ajustes ao longo do sistema de produção são cruciais para garantir altos índices de rendimento de grãos. Entre eles está a escolha correta da cultivar, a utilização de sementes com alta qualidade – genética, física, fisiológica, sanitária e visual, garantidas em Sementes Rastreadas –, ambiente de produção e semeadura adequados, solo estruturado e sem compactação, manejo eficiente dos agentes redutores de produtividade, entre outras ações.

O principal desafio no estabelecimento de campos de produção é construir estandes de plantas uniformemente distribuídos, sem duplas, triplas e plantas limitadas. Neste contexto, se faz necessário durante a semeadura prezar por condições ideais de temperatura, umidade do solo, profundidade correta e uniforme para deposição das sementes no sulco. O sucesso nesta etapa está relacionado à qualidade das sementes utilizadas e ao manejo do sistema de produção ao longo dos últimos anos, fatores que afetam positivamente ou negativamente a plantabilidade, o estabelecimento inicial e, consequentemente, todas as demais fases fenológicas até a colheita.

Após a emergência das plantas na área de produção, o acompanhamento nas fases iniciais é indispensável para identificação de pragas, doenças, plantas daninhas e possíveis limitações que possam comprometer o estande de plantas e, com isso, a rentabilidade da lavoura.

Conheça as principais limitações na emergência de plantas de soja

  • Sementes com baixos índices de vigor e germinação
  • Excesso de profundidade de semeadura ou semeadura superficial
  • Solos com compactação superficial
  • Excesso de ingrediente ativo e calda no tratamento de sementes na fazenda
  • Deriva de herbicidas aplicados em áreas próximas
  • Resíduo de herbicidas no solo
  • Temperatura do solo alta ou baixa
  • Falta ou excesso de umidade no solo
  • Escolha incorreta do tipo de disco de corte ou mesmo o desgaste desse equipamento
  • Excesso de palha sobre o solo, dificultando o processo de corte da palha e distribuição uniforme das sementes pela semeadora
  • Falta de palha sobre o solo, alterando a temperatura e a disponibilidade de água no solo
  • Ocorrência de chuvas em um intervalo igual ou menos que 16 horas após a semeadura
  • Ataque de pragas ou doenças durante o processo de germinação e emergência

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