Instabilidade no clima exige mais atenção dos triticultores

Sem números precisos, a geada causou danos expressivos em algumas lavouras de trigo no Sul do Brasil. Algumas estimativas, inclusive, já apontam redução na produção devido ao fenômeno. Somado a isso, o Rio Grande do Sul tem registrado períodos secos, com temperaturas altas, o que por um lado favorece o desenvolvimento dos cereais de inverno, mas, por outro, tornam um ambiente favorável ao desenvolvimento de fungos causadores de doenças, que podem ocasionar perdas ainda mais consideráveis no trigo. Por isso, o acompanhamento das lavouras até o fim da maturação dos grãos é fundamental para fazer o manejo de doenças como ferrugem da folha e giberela, alerta a Embrapa Trigo.

Ferrugem da folha do trigo

O relato de epidemias no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina são mais frequentes entre os meses de agosto e setembro. Neste ano, o quadro climático do inverno, com temperaturas mais altas, intercaladas com períodos curtos de frio, mostram um cenário insuficiente para controle natural dos inóculos no campo.

A ferrugem pode atacar as partes verdes das plantas desde a emergência até a fase final da maturação dos grãos. O nome se deve ao aspecto visual de enferrujado, principalmente nas folhas, pelo aparecimento de pústulas alaranjadas. Os danos podem ser superiores a 60% em cultivares suscetíveis.

O clima ideal para o fungo é de 20°C com 3 horas de molhamento contínuo nas folhas. Porém, a doença pode se desenvolver rapidamente mesmo sob temperaturas entre 10°C e 30°C. A alta umidade relativa do ar também favorece a doença, especialmente se houver a formação de orvalho, pois os esporos do fungo precisam de um filme de água livre sobre as folhas para germinar e invadir os tecidos foliares.

De forma geral, o uso de fungicidas é eficiente para o controle químico da ferrugem da folha, desde que utilizado na dose recomendada pelo fabricante do produto. Mas, a melhor forma de controle é o uso de cultivares resistentes, com característica de resistência de planta adulta (RPA).

Giberela

A giberela é outra doença que exige atenção no trigo a partir de agora, do espigamento até o enchimento de grãos. A doença pode ocasionar danos no rendimento e na qualidade dos grãos, uma vez que, quando a espiga é afetada nos primeiros estágios, o grão não é formado e a maioria dos que se formam são perdidos no processo de colheita.

Para minimizar os danos com giberela, a Embrapa Trigo orienta acompanhar diariamente as previsões climáticas. A ocorrência de giberela depende de precipitações pluviais elevadas, ou seja, dias consecutivos de chuva. A temperatura entre 20°C e 25°C, típica de primavera, é uma porta aberta para a doença, lembrando que o controle com o uso de fungicidas não tem eficiência por completo, resolvendo em 50% a 70% no combate ao fungo.

A recomendação da Embrapa é aplicar fungicida somente quando houver ambiente favorável à infecção. Nesse sentido, a aplicação deve ser feita antes da ocorrência de chuvas previstas. Assim, quando ocorrer a chuva as espigas já devem estar protegidas.

Calendário de doenças do trigo

Para ajudar no acompanhamento da sua lavoura, elaboramos o Calendário de Doenças do Trigo, de acordo com os estágios fenológicos em que os sintomas de cada doença ficam mais visíveis. Clique na imagem para ampliar ou, se preferir, você pode baixá-lo.

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