Como proteger a sua produção do frio intenso?

Com a previsão do tempo indicando quedas acentuadas na temperatura no Sul do Brasil, nesta segunda quinzena de agosto, a recomendação é colocar em prática alguns manejos para minimizar as perdas em culturas mais sensíveis, como hortaliças e frutas.

Em Santa Catarina, a Epagri/Ciram orienta os seguintes manejos, que também podem ser aproveitados em algumas áreas do Rio Grande do Sul. 

As plantas que ainda não brotaram não devem sofrer muito com frio, há uma preocupação com as plantas mais precoces, que estão iniciando a brotação, mas estas correspondem a uma parte dos parreirais catarinenses e gaúchos. De modo geral, quando possível, a recomendação é não realizar poda nesta semana, esperando a onda de frio passar para fazer este manejo. Em Ametista do Sul/RS e Planalto/RS, por exemplo, a maioria das videiras estão em período de poda e algumas em início de brotação. Segundo o enólogo Nivaldo Potrich, que atua nessa região, em caso de geada, alguns produtores já atuam com a aplicação de um produto que pode minimizar os impactos da baixa temperatura nos pomares.

O excesso de frio pode ser muito prejudicial para essa cultura, comprometendo até 80% da produção, já que provoca o aborto floral. A recomendação para evitar prejuízos severos é a cobertura das plantas com plástico branco leitoso, de preferência na forma de túneis, mesmo daquelas já produzidas em ambientes protegidos altos. Também é muito importante não irrigar, nem fertirrigar na véspera da geada, para evitar o congelamento da água presente no solo logo abaixo do mulching – plástico de cobertura do solo – ou substrato – sacos de cultivo –, o que pode danificar as raízes e matar as plantas. Os túneis devem ser fechados antes da ocorrência da geada. Após a passagem da geada, o produtor deve ficar atento às doenças relacionadas à podridão dos frutos.

Nos pomares jovens, com até dois anos, recomenda-se a proteção do tronco contra o frio, usando barreiras físicas como papelão, plástico, capim ou palha, ou ainda pode-se avaliar a proteção da planta por inteiro.

Os pomares estão com plantas em floração ou já apresentando pequenos frutos. Na eminência de geada, a recomendação é fazer o controle por irrigação, no caso de a temperatura baixar de 0°C, sendo que as perdas ocorrem com temperaturas abaixo de -1,5°C. Quem já conta com o sistema, terá resultados positivos no enfrentamento da situação. Quem não tem, deve pensar em instalar, como modo de se preparar para os próximos episódios de geadas.

Para as hortaliças em geral, inclusive folhosas, recomenda-se manter aspersores ligados no dia em que a geada ocorre, até o nascer do sol. Isso porque a água tem temperatura maior em relação ao ambiente, formando camada de vapor que protege as plantas do congelamento. As que estiverem em floração devem ter as folhas amarradas no topo, de modo a proteger os brotos.

É importante suspender o transplantio de mudas até não existir mais risco de geada. É recomendável antecipar a adubação com potássio no período pré-geada. Nos pomares implantados com mudas pequenas, elas podem ser enterradas no fim da tarde que antecede à formação da geada, devendo ser desenterradas logo após o evento. Outra possibilidade é cobrir as plantas da melhor maneira possível – com papel pardo, palhada e/ou outros materiais que possam resistir à umidade. Evitar uso de jornal, por exemplo.

Suspender o transplantio de mudas até que o frio passe. Antecipar a colheita dos cachos e ensacar aqueles que não puderem ser colhidos. Também devem ser ensacadas as inflorescências recém-emitidas. Após a geada, é importante estar atento à eliminação das folhas secas.

A recomendação é armazenar e proteger do frio as ramas que serão destinadas para o plantio na safra 2020/2021. Assim, se evita o comprometimento do material propagativo.

A recomendação é adiar a aplicação de fungicidas e inseticidas para depois da geada. Em Palmeira das Missões/RS, o engenheiro-agrônomo Felipe Lorensini, da Emater/RS-Ascar, comenta sobre os possíveis impactos no trigo e no milho, que começa a ser implantado em algumas áreas do RS. “No trigo, tendo em vista que a maioria das lavouras do município estão se aproximando do período reprodutivo, considerada a fase mais sensível da cultura, pode haver danos expressivos com essa queda de temperatura. Mas tudo depende da intensidade desse frio e do estágio em que se encontram as lavouras”, pondera.

Já no milho, a maioria das lavouras implantadas estão abaixo da fase V4. “Mesmo assim, o frio nesta fase pode resultar em uma formação desuniforme das plantas, causando, até mesmo, uma perda no potencial produtivo. O milho semeado por ter um atraso na emergência, reduzindo o vigor dessa planta. Em áreas com lavouras acima do estágio V4 o impacto pode ser maior”, observa.

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