Principais doenças do trigo e como identificar os sintomas

principais doenças do trigo

A cultura do trigo apresenta números expressivos na economia do Brasil, tendo como principais produtores os estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, que suprem cerca de 40% da demanda nacional. Para continuar evoluindo e garantindo altas produtividades e rentabilidade, um dos fatores de atenção é o manejo das doenças. A seguir, explicamos detalhes sobre algumas das principais doenças que atingem a cultura do trigo. Confira:

ferrugem da folha

Ferrugem da folha doença do trigo
Fonte: Agrolink

A ferrugem da folha do trigo é uma das principais doenças que atinge a cultura, podendo causar perdas de cerca de 50% na produtividade. Ela pode se manifestar desde o surgimento das primeiras folhas até a fase de maturação das plantas, sendo mais comum o aparecimento em estágios avançados do ciclo. A ferrugem pode ser identificada pelo aparecimento de pústulas na folha (parecidas com pequenas erupções), com esporos amarelo-escuros e marrons. Mas como essa doença se desenvolve? O fungo Puccinia triticina sobrevive ao período de entressafra em plantas voluntárias (plantas guaxas) de trigo e os esporos podem se propagar por longas distâncias (até km!) através do vento. As condições propícias para o desenvolvimento da doença são temperaturas entre 15ºC e 20ºC, com molhamento foliar de 6 a 10 horas. Para combater a ferrugem, opte por eliminar plantas voluntárias antes do estabelecimento da lavoura utilizar cultivares com resistência genética, aplicação de fungicidas recomendados.

mancha amarela

Fonte: Embrapa

A mancha amarela é uma doença foliar causada pelo fungo Drechslera tritici-repentis, que tem a capacidade de sobreviver nos restos culturais e nas próprias sementes de trigo, extraindo nutrientes de tecidos não-vivos (necrotróficos), além de possuir propagação dos esporos pelo vento, mas a distâncias menores em comparação à ferrugem da folha (inferior a 20m). Para o desenvolvimento, temperaturas entre 18ºC e 28ºC são ideais, além de um molhamento foliar de, ao menos, 30 horas. Os sintomas se manifestam logo após a emergência e se caracterizam pelo aparecimento de pequenas manchas cloróticas (descoradas) nas folhas, que aumentam com o passar do tempo, ficando com a parte central necrosada, na cor parda e circundadas por um halo amarelo, como uma espécie de borda na mancha. E como combater esta doença? Recomenda-se o uso de sementes sadias (de preferência com TSI) e rotação de culturas para evitar semear trigo sobre trigo.

brusone

Brusone doença do trigo
Fonte: Embrapa

Causada pelo fungo Pyricularia oryzae, a brusone tem maior incidência no Norte do Paraná e, quando o ataque é intenso, as perdas podem chegar a cerca de 60%. Os principais sintomas são: espigas brancas, sobretudo na metade superior; lesão preta brilhante no ponto de penetração das ráquis (ponto de fixação entre o grão e a haste); ocasionalmente, podemos observar manchas elípticas acinzentadas nas folhas. O fungo consegue sobreviver nos restos culturais e também é transmitido pelas sementes, sendo que as condições propícias para seu desenvolvimento são temperaturas entre 25ºC e 28ºC e 10 a 14 horas de molhamento do tecido vegetal. A brusone é uma doença de difícil controle e as formas de combate mais recomendadas são cultivares resistentes e o uso de fungicidas.

giberela

Giberela doença do trigo
Fonte: Embrapa

A giberela é causada pelo fungo Fusarium graminearum, sendo a doença que mais afeta a qualidade dos grãos devido à ocorrência da micotoxina. Essa doença tem maior incidência em regiões quentes em que a floração coincide com longos períodos de chuva, já que as condições favoráveis para o desenvolvimento são temperaturas entre 15ºC e 30ºC e molhamento na flor. Como o fungo penetra pela flor, acaba afetando todos os componentes da espiga, que pode ser totalmente destruída, impedindo que os grãos se formem. Caso o processo de infecção seja mais lento, os grãos podem até se desenvolver, mas ficam enrugados, ásperos, chochos e róseos. Já as espiguetas infectadas ficam despigmentadas, esbranquiçadas ou cor de palha. O sintoma mais comum e de fácil identificação são as aristas arrepiadas. É preciso ter muita atenção para esta doença, adotando algumas práticas de prevenção, como ficar atento às condições climáticas e aplicar fungicida nas partes aéreas da planta durante a fase de suscetibilidade.

oídio

Créditos: Nelson Bernardi Lima

O oídio (Blumeria graminis f.sp. tritici) também é conhecido como mofo ou cinza e causa perdas de até 60% nas lavouras, tendo como principal sintoma a presença de coloração branca ou acinzentada (bolor) e pulverulenta (aspecto de pó), principalmente na face superior das folhas. Podem ocorrer também áreas amareladas ou necrosadas nos locais afetados com as manchas. No caso desta doença, não é necessário o molhamento foliar para o desenvolvimento do fungo, apenas temperaturas amenas (entre 15ºC e 22ºC) e umidade relativa do ar superior a 75%.  Para prevenção e controle do oídio, opte por variedades resistentes e uso de fungicidas em tratamento de sementes e na parte aérea das plantas.

Estas são algumas das principais doenças que afetam a cultura do trigo. É importante lembrar que existem diversas e que cada uma é causada por um tipo de microrganismo, com sintomas específicos, interações com o hospedeiro e condições ambientais diferentes. Por isso, é importante analisar a fundo cada caso em particular, considerando fatores como clima, região e tipo de cultivar, para fazer o correto diagnóstico e manejo.

calendário de doenças do trigo

Para ajudar no acompanhamento da sua lavoura, elaboramos o Calendário de Doenças do Trigo, de acordo com os estágios fenológicos em que os sintomas de cada doença ficam mais visíveis. Confira a seguir (clique para ampliar).

Mas lembre-se: a infecção ocorre antes do aparecimento dos sintomas, por isso é importante tomar medidas ainda no planejamento da semeadura, como escolha das cultivares ideais, TSI e eliminação de restos culturais. Faça o download grátis e acompanhe sua lavoura.

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