Segurança alimentar: conheça as responsabilidades da cadeia produtiva

Ninguém imaginava que em 2020 uma pandemia se instalaria no planeta e causaria tanta insegurança na humanidade. O momento é de reflexão e cautela, toda informação técnica e de qualidade deve ser considerada. Neste sentido, queremos conversar sobre a importância de adotar práticas em conformidade com as leis vigentes para manter a qualidade e a sanidade dos alimentos comercializados e a responsabilidade da cadeia produtiva perante eles, afinal, estes fatores são fundamentais para assegurar a saúde e o bem-estar humano, especialmente nesta fase em que vivenciamos agora.

A qualidade e a sanidade dos alimentos será uma preocupação ainda maior do mundo inteiro após a pandemia do novo Coronavírus – cá entre nós, já está sendo. Já disse a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Tereza Cristina, em uma entrevista ao programa Brasil em Pauta, da TV Brasil, reforçando a responsabilidade que a cadeia produtiva de alimentos tem e terá sobre o planeta daqui em diante.

 

Não tenho dúvida de que esse será um dos temas pós-Coronavírus muito debatido e de preocupação não só nossa, mas do resto do mundo. Que alimento eu estou utilizando? De onde vem? Qual a origem?

Tereza Cristina, Ministra do Mapa

Boas práticas de fabricação

As Boas Práticas de Fabricação (BPF) são um conjunto de regras para o correto manuseio dos alimentos em toda a cadeia produtiva, desde o recebimento das matérias-primas até o produto final, visando garantir a segurança e integridade do consumidor. É válido ressaltar que existem leis que exigem a implementação destas e que a negligência pode acarretar em advertências, multas e, até mesmo, em cancelamento do alvará de licenciamento do estabelecimento.

Ao adotar as BPF você estará atendendo a Portaria SVS/MS n° 326/97, a Resolução RDC n° 275/2002 – complementa a Portaria SVS/MS n° 326/97 – e a Portaria MS n° 1.428/93.

As BPF se aplicam a toda pessoa física ou jurídica que possua pelo menos um estabelecimento ou indústria de alimentos, em que sejam realizadas algumas das seguintes atividades:

  • Produção, industrialização e manipulação
  • Fracionamento
  • Armazenamento
  • Transporte de alimentos industrializados

O Manual de BPF para empresas processadoras de alimentos estabelece as seguintes instruções:

Adote práticas-padrões de higiene entre os colaboradores.

Mantenha os edifícios destinados à instalação alimentícia, ao processamento, à embalagem, ao armazenamento, aos estoques de matérias-primas e aos produtos acabados em devida ordem e de fácil manutenção e limpeza.

Elabore um manual de operações para todas as etapas de processo: recebimento, armazenamento, descongelamento, manipulação e distribuição.

Preze pelas boas condições destes, incluindo o aferimento e a calibração periódica.

Estabeleça um cronograma com os métodos e a frequência de limpeza.

Armazene as matérias-primas, materiais de embalagem e produtos finais em condições adequadas, de acordo com as especificações da Sociedade Brasileira de Ciência e Tecnologia de Alimentos (SBCTA).

Mantenha os veículos de transporte limpos e em bom estado de conservação.

As ações preventivas e corretivas, com monitoramento, inspeções internas e externas com registros e relatórios, são imprescindíveis para o controle das pragas, impedindo que elas causem problemas significativos.

Invista em métodos de produção e controle dos padrões de qualidade. Neste caso, a rastreabilidade pode se tornar uma grande aliada, pois através desta é possível fazer o controle de todas as etapas do processo produtivo, tendo acesso a informações pertinentes para análise e gestão de riscos.

Instrua e capacite os profissionais que trabalham no preparo de alimentos por meio de mecanismos que possibilitem a transmissão dos conceitos importantes sobre as técnicas operacionais e de informações sobre o controle higiênico-sanitário, para a devida conscientização profissional e sua mudança comportamental.

Lembre-se: Ao oferecer um produto de qualidade ao consumidor, você estará contribuindo para a saúde e bem-estar dele e da família, ao mesmo que está afirmando a sua responsabilidade diante de um segmento tão importante para o mundo inteiro, que é a produção de alimentos.

Covid-19: Medidas de higiene para o período de colheita

A necessidade de assegurar o abastecimento e a segurança alimentar dos brasileiros intensificou a adoção de cuidados de higiene em toda a cadeia de agrícola, incluindo a atividade de colheita no campo. Para isso, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) elaboraram uma cartilha com recomendações gerais, durante a colheita, no transporte e no alojamento dos trabalhadores. O documento reúne 35 orientações visando a segurança das pessoas envolvidas na colheita de produtos vegetais e estão alinhadas com as diretrizes do Ministério da Saúde.

Neste período do outono, segundo o calendário da Conab, estão em colheita culturas como algodão, arroz, feijão (em algumas regiões logo já começa a 2ª safra), milho (1ª safra); soja, entre outras. Há regiões do país, dependendo da cultura, que estão em fases diferentes da colheita.

Covid-19: Comercialização de produtos em feiras livres, sacolões e varejistas

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em parceria com o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sugere o cumprimento de boas práticas de manipulação de alimentos pelos profissionais e estabelecimentos do setor em todo o país.

Algumas recomendações

  • Deve ser feita a limpeza e higienização frequente das superfícies, dos veículos de transportes, locais de acondicionamento de produtos, equipamentos e utensílios.
  • Proibir qualquer tipo de degustação ou consumo de produtos no local.
  • Os trabalhadores com sintomas respiratórios (tosse, febre, coriza, dor de garganta e falta de ar), independentes de pertencerem a algum grupo de risco, devem ser afastados da atividade e permanecerem em isolamento domiciliar por 14 dias, assim como seus familiares que vivem na mesma casa.

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Ei, consumidor! Faça a sua parte também!

Os consumidores também tem responsabilidade sobre os alimentos que consomem. Afinal, o momento é de agir e pensar no coletivo, certo? Separamos algumas dicas para você também, confira:

  • Não estoque comida: Não crie pânico. Assim como você, outras pessoas também precisam de alimentos!
  • Observe mais e toque menos: Durante as compras, procure manusear apenas os alimentos que você realmente irá levar para casa. Evite tocar em objetos e superfícies sem necessidade.
  • Opte pelo consumo de alimentos frescos: É hora de se atentar para a saúde alimentar e fortalecer o sistema imunológico. Lembre-se: Alimentos com rastreabilidade tem garantia de origem e qualidade.
  • Evite aglomerações nos supermercados: Mantenha uma distância segura entre as outras pessoas nos corredores e nas filas. Não leve crianças e idosos aos supermercados. De preferência, escale as idas apenas com um membro da família.
  • Higienize as mãos e os produtos: Assim que chegar em casa, higienize às mãos com álcool 70% ou com água e sabão. Também é recomendado higienizar as embalagens dos produtos comprados.

A cadeia de produção de alimentos é uma das mais importantes do mundo e toda a questão envolvendo o Coronavírus veio para reforçar ainda mais os cuidados que devem ocorrer em todo o processo produtivo. O fato é que todos os entes envolvidos são responsáveis por manter padrões de segurança e assegurar a qualidade do alimento ao consumidor final.

Você atua em alguma etapa da produção de alimentos? Conta pra gente quais medidas de sanidade e qualidade são adotadas na sua empresa!

Equipe O Agro

Colaboração: Equipe da Revista Novo Rural

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