Qual a importância do planejamento da semeadura do trigo?

O cenário é otimista para a cultura do trigo neste ano de 2020. Com os impactos da estiagem sobre as lavouras gaúchas de milho e soja, os produtores deverão apostar na safra de inverno para garantir uma fonte de renda nesse período. Além disso, a demanda do cereal está aquecida no mercado interno, fazendo com que as estimativas apontem para um aumento na área a ser implantada neste ciclo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima um aumento de 2,4% na nova safra.

Trigo em números

O trigo é o principal cultivo de inverno no Sul do Brasil. Juntos, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná têm representado 88% da área e da produção total de trigo do Brasil. Essa região produz, aproximadamente, 40% da demanda nacional, que varia entre 10 e 12,5 milhões de toneladas, e são importadas, anualmente, entre 6,5 e 7,0 milhões de toneladas. A importação gerou, somente no ano de 2019, um desembolso de U$$ 1,5 bilhão. O principal parceiro comercial do Brasil é a Argentina, país do qual é importado, em média, 75% do trigo que precisamos para abastecer o mercado interno.

Confira alguns números sobre a produção na região sul nos últimos anos.

*Área – mil hectares

**Produtividade média kg/ha

***Produção total – milhões de toneladas

Fonte: Conab

Por mais que a janela de semeadura do trigo seja no mês de maio, conforme o zoneamento agrícola e de risco climático, o momento é oportuno para o produtor planejar a safra, optando por práticas que garantirão maior produtividade e rentabilidade, a exemplo do planejamento de semeadura. Com o auxílio de alguns profissionais, vamos elencar os principais elementos que compõe esse planejamento e que vão ajudar na tomada de decisão e garantir a eficiência na produtividade da safra de inverno. Vamos lá?!

Muitos produtores utilizam a mesma área de plantio para fazer a rotação do trigo com a soja, o que vai ajudar na criação de palhada e melhorar as condições do solo. “A rotação de cultura é uma prática que auxilia no controle de pragas, doenças e plantas daninhas, inclusive, é eficiente para o aumento do rendimento de grãos de trigo”, explica o técnico-agropecuário Éverton Lizot, desenvolvedor de mercado aqui na O Agro Softwares para o Agronegócio.

A análise do solo está entre as etapas essenciais para garantir a boa germinação do trigo. É crucial fazer a análise e a correção com calcário e/ou fertilizante.

O calcário favorece o desenvolvimento das raízes e facilita a utilização dos nutrientes do solo e dos adubos pelas plantas. Já o uso de fertilizantes ajuda no incremento da produtividade e pode impactar na qualidade dos grãos. “O uso de fertilizantes representa mais de 20% dos custos de produção de uma lavoura, sendo a ureia a mais usada para a cultura. Já o calcário amplia a absorção de elementos presentes no adubo”, reforça Lizot.

Sem dúvida, o clima desafia o produtor a cada safra. Por este motivo, ficar atento às condições climáticas e seguir o calendário de plantio conforme o zoneamento previne perdas que podem impactar toda a produção. Segundo o analista Marcelo Klein, da Embrapa Trigo, a previsão climática para este inverno é favorável para a cultura. “A tendência é de uma estação com baixa umidade, o que favorece o cultivo no que diz respeito a menor incidência de doenças e aumento na qualidade do cereal colhido”, destaca.

O doutor em Produção de Sementes e sócio-proprietário da nossa empresa, Alexandre Gazolla, ressalta que é vasto o portfólio de variedades disponíveis no mercado, mas é preciso avaliar e escolher quais as que vão assegurar a alta produtividade da lavoura e a qualidade do grão no fim da safra. “O produtor deve levar em conta a adaptação dessa cultivar na região que se encontra, o perfil de qualidade, o potencial de rendimento e também ficar atento nas demandas do mercado”, frisa.

Gazolla também destaca a importância de utilizar sementes de qualidade, com alto potencial de germinação e vigor, pureza e sanidade. “A escolha da semente adequada, sem dúvida, é um dos grandes pilares para garantir a eficiência na produtividade. Neste contexto, também é preciso observar se a semente é certificada”, orienta ele.

Para garantir que a semente é de qualidade, o produtor pode enviar amostras para o laboratório de análise. Caso necessite, deve-se fazer o tratamento de sementes, com os produtos registrados para a cultura e sob orientação de um técnico qualificado.

Após o plantio, o acompanhamento em todas as fases do cultivo é essencial para prevenir pragas e doenças e controlar plantas daninhas.

Como já mencionado, optar por sementes com alto potencial e vigor fazem toda a diferença durante o cultivo. Neste caso, a rastreabilidade de sementes é uma grande aliada de quem faz do campo a sua principal fonte de renda.

Escolher sementes de fornecedores confiáveis podem ajudar o produtor a evitar sementes de plantas daninhas, por exemplo. A rastreabilidade destas permite que o produtor tenha conhecimento do registro de todas as atividades e aplicações que ocorreram nas áreas de produção de sementes, da semeadura até a colheita. “É preciso disponibilizar de forma acessível essas informações a todos os agricultores, para que eles possam tomar a melhor decisão na hora de planejar a safra”, reitera Gazolla.

checklist da semeadura

Fonte: Embrapa

Colaboração: Equipe da Revista Novo Rural

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