Entenda a questão dos defensivos agrícolas na produção de alimentos

Os alimentos in natura ou minimamente processados, a maioria de origem vegetal, são recomendados pelo Ministério da Saúde por formarem a base de uma alimentação nutricionalmente equilibrada, saborosa e promotora de um sistema alimentar socialmente e ambientalmente sustentável. Mas, você já parou para pensar sobre os desafios enfrentados pelos produtores na hora do cultivo? Um exemplo é que, apesar de a demanda por vegetais frescos ser grande no mundo inteiro, é difícil encontrar defensivos agrícolas específicos para esses alimentos. Diferente das grandes culturas, que possuem um vasto portfólio de defensivos disponíveis, as menores sofrem com a deficiência de insumos apropriados para o manejo, por serem consideradas de baixo “retorno econômico”.

Agora, se somarmos esse fato ao manejo incorreto, como não utilizar receituário agronômico prescrito por um profissional adequado, não respeitar os prazos de carência  dos produtos, além do uso de defensivos não autorizados para determinadas culturas, a situação se torna ainda mais delicada, inclusive para a saúde de quem cultiva, do consumidor e, obviamente, para o meio ambiente.

A situação que apresentamos se refere ao modo de cultivo tradicional. Sabemos que existem alternativas, como o cultivo orgânico, mas que também possui seus desafios e peculiaridades.

 

Resíduos de defensivos agrícolas em vegetais

Entre 2017 e 2018, o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para) analisou 4.616 amostras de 14 alimentos que representam mais de 30% da dieta de vegetais consumidos pela população brasileira, sendo eles: abacaxi, alface, alho, arroz, batata-doce, beterraba, cenoura, chuchu, goiaba, laranja, manga, pimentão, tomate e uva. Nestes, foram detectados 122 defensivos diferentes, de um total de 270 considerados.

Do total de amostras analisadas, 3.544 (77%) foram consideradas satisfatórias quanto aos defensivos pesquisados e 1.072 amostras (23%) foram consideradas insatisfatórias em relação à conformidade com o Limite Máximo de Resíduos (LMR). Nos gráficos a seguir podemos ver os números detalhados:

 
Fonte: Relatório Para

*NPC: Não permitido para a cultura

As amostras foram coletadas no período de agosto de 2017 a junho de 2018, em estabelecimentos varejistas localizados em 77 municípios brasileiros, exceto no Estado do Paraná. O programa é coordenado pela Anvisa em conjunto com os órgãos estaduais e municipais de vigilância sanitária e laboratórios estaduais de saúde pública.

O que esses números têm a nos dizer?

Deve-se intensificar o desenvolvimento de projetos de educação sanitária em campo, de manejo e de produção de materiais de treinamento para usuários dos produtos utilizados nas culturas.

Órgãos de assistência técnica devem realizar cada vez mais campanhas educativas, visando informar o produtor rural sobre os riscos ocupacionais da exposição aos defensivos.

É preciso atender a legislação, para que a rastreabilidade dos alimentos seja assegurada em todas as etapas da cadeia de produtos vegetais in natura. O mercado varejista, por sua vez, deve qualificar seus fornecedores, buscando identificar a origem dos produtos a serem ofertados ao consumidor.

Estes, de acordo com as suas competências, devem intensificar as ações de fiscalização dos pontos de vendas, da indicação, da manipulação e da aplicação dos defensivos nos locais de produção.

Uma das ações feitas com o uso dos resultados foi justamente a publicação da Instrução Normativa Conjunta 02/2018, que trata sobre a obrigatoriedade da rastreabilidade de vegetais frescos.

Cabe ressaltar o importante papel das universidades, empresas, produtores, associações e sociedade em geral, que, por meio do conhecimento, podem contribuir para disseminação de informações corretas e adequadas e promover melhorias em toda a cadeia entre a produção e o consumo de alimentos no Brasil.

Como o caderno de campo pode ajudar no controle dos defensivos agrícolas?

O caderno de campo oferece diversas vantagens para o produtor de alimentos, servindo como uma estratégia para controlar a produção e auxiliar na tomada de decisão da cadeia produtiva. O caderno de campo é uma exigência no processo de rastreabilidade e é nele que o produtor registra as diversas atividades do ciclo produtivo, desde semeadura, manejos, aplicações de produtos e colheitas. É justamente na parte da aplicações de produtos que são listados todos os detalhes do uso de um defensivo agrícola na cultura específica. Essas informações devem ficar armazenadas por, no mínimo, 18 meses e servem para fiscalização em caso de contaminação de alimentos.

Saiba mais sobre os registros de aplicações de produtos

Colaboração: Equipe da Revista Novo Rural

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