A plantabilidade como estratégia na construção de altos rendimentos de grãos

Um estande de plantas ideal está diretamente relacionado à cultivar, época de semeadura, condições climáticas do ciclo de produção e à utilização de sementes com alta qualidade e procedência. Esses fatores também interagem de maneira decisiva não só no estabelecimento inicial, mas em todas as fases fenológicas de desenvolvimento das plantas até a colheita. Além disso, é crucial que esses itens estejam associados ao incremento da precisão das máquinas semeadoras, cultivares modernas, técnicas de agricultura de precisão, otimização da capacidade produtiva dos solos, aprimoramento da cobertura vegetal e da semeadura direta, o que gera altos índices de rendimento de grãos aos agricultores.

Porém, alguns aspectos devem ser considerados para assegurar a distribuição desejada de sementes e propiciar condições favoráveis ao estabelecimento, desenvolvimento e à produtividade da lavoura. A semeadura e o estabelecimento da população de plantas são influenciadas por diversos fatores, que podem atuar isolados ou de forma combinada.

“A construção de estandes de plantas uniformemente distribuídas e com alto potencial é o primeiro passo para o agricultor alcançar elevados índices de rendimentos de grãos.”

Neste complexo cenário se dá a plantabilidade, caracterizada pela distribuição precisa de plantas através de sementes. Nesta equação, o agricultor deve priorizar a relação entre a quantidade e distância entre elas, evitando falhas, duplas, triplas e obtendo espaços equidistantes, fator que influencia positivamente o desenvolvimento uniforme das plantas e a máxima expressão do potencial genético.

A má distribuição longitudinal das plantas reduz significativamente a eficiência no aproveitamento fatores de produção disponíveis, como água, luz e nutrientes. O acúmulo de plantas provoca o desenvolvimento de indivíduos de menor porte, as chamadas plantas dominadas, menos ramificadas, com produção individual reduzida, menor diâmetro de haste, problemas com enraizamento, maior propensão ao acamamento, dificuldade de proteção e que estarão competindo com as plantas de maior potencial. Por outro lado, espaços vazios nas linhas de semeadura facilitam o desenvolvimento de plantas daninhas, proporcionam uma maior variação na temperatura no solo em dias quentes e maior perda de água por evapotranspiração.

A utilização sementes legais com altos índices de germinação, vigor, pureza, livre de patógenos –  plantas daninhas e mistura de cultivares – são aspectos fundamentais na construção de estandes de plantas uniformes e com alto potencial de produção, proporcionando a máxima expressão genética da cultivar, considerando épocas de semeadura e condições climáticas ideais.

Outra variável que está intimamente relacionada à utilização de sementes de qualidade é a ocorrência de plantas dominadas nas áreas de produção. Essas são plantas que emergem depois e acabam apresentando um desenvolvimento atrasado, competindo com as demais por água, luz e nutriente. A ocorrência de plantas dominadas nas lavouras, também pode estar relacionada ao excesso de profundidade de semeadura, velocidade excessiva e a variação na distribuição vertical de plantas.

Veja as imagens a seguir, com plantas dominadas em lavoura de produção de milho e soja.

“Agrupamentos de plantas, falhas e plantas dominadas são variáveis responsáveis por baixos rendimentos de grãos no Brasil.”

A uniformidade das sementes quanto ao tamanho e a forma influencia no fluxo de seleção e distribuição de sementes em semeadoras pneumáticas e, principalmente, nas mecânicas. Nesta, a escolha de discos é comprometida na ausência de uma amostra de sementes uniforme.

A velocidade de semeadura corresponde a um dos parâmetros mais críticos e, muitas vezes, negligenciados, atingindo em diversos casos velocidade superior a 10 km.h-1. É importante lembrar que a velocidade de semeadura tem relação direta com a ocorrência de falhas e sementes duplas e triplas, interferindo no estande inicial e na produtividade de grãos. O excesso de velocidade de semeadura é o principal responsável pelos altos índices de coeficiente de variação na distribuição de plantas.

Veja na imagem a seguir os resultados de problemas de distribuição de plantas com falhas e plantas dominadas.

Diversos dados de pesquisas e observações a campo demonstram que nas semeadoras utilizadas atualmente pelos produtores o emprego de velocidades superiores a 7,5 km/h-1 reduz a precisão desses equipamentos, comprometendo a qualidade de semeadura e aumentando as sementes duplas, triplas e falhas. Para equipamentos mecânicos de disco recomenda-se velocidade entre 3,5 a 4,5 km/h-1, e para pneumáticos entre 4,0 a no máximo 8 km/h-1. Nesta, os melhores resultados são obtidos com velocidade inferior a 5 km/h-1.

“Cada falha por metro quadrado causa perda de 180kg a 240 kg de soja por hectare. Plantas duplas e triplas também dificultam a proteção e causam perdas de folhas.”

Outro detalhe que não podemos deixar passar despercebido é a presença de cobertura vegetal (palhada) sobre o solo. Sua importância é incontestável, porém, essa camada pode interferir na correta distribuição das sementes caso a semeadora não seja regulada de forma adequada. Essa cobertura deve estar seca ou verde, evitando iniciar o processo de semeadura com a palha murcha, o que dificulta o seu corte devido a sua maior resistência, ocasionando eventuais “embuchamentos” ou o aprofundamento da massa vegetal internamento ao sulco, prejudicando a emergência das plantas.

Atenção para as principais fontes de variação que afetam a plantabilidade

  • Correta regulagem dos equipamentos.
  • Manutenção preventiva da semeadora seguindo as recomendações do fabricante.
  • Sementes uniformemente classificadas, seguido pela escolha correta do disco.
  • Velocidade de semeadura adequada.
  • Semeadura em nível no terreno.
  • Biomassa de cobertura com distribuição uniforme.
  • Palha de cobertura seca ou verde uniformemente distribuída sobre o solo.
  • Evitar a semeadura com solo compactado, excessivamente seco ou úmido.
  • Utilizar sementes de qualidade e com altos índices de germinação e vigor.
  • Preferencialmente utilizar Tratamento Industrial de Sementes com Polímero.
  • Realizar a semeadura em profundidade adequada com distribuição vertical e horizontal uniformes.

*Texto originalmente publicado na Revista Novo Rural.


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